SEXO E AMOR

resumo

 

 

 

 

A dicotomia sexo versus virtude está presente na nossa cultura. Os dois conceitos parecem antagônicos e nunca integrados na mente das pessoas. As figuras simbólicas de Eva e Maria podem ser uma raiz teológica para essa ambigüidade. Eva é o modelo de sedutora que conduz o homem à ruína. Maria representa o ideal inatingível, que combina a virgindade com a maternidade. Eva seria a outra, a má, a quem os homens devotam desprezo e desejo, a erótica, o objeto sexual, passível de paixão. Maria seria alvo de veneração, respeito e ternura.

Desde criança meninos e meninas têm incutidos esses símbolos.  A sociedade feminina é dividida pelos homens - e por elas mesmas - nesses dois tipos. O homem que olha com avidez material pornográfico e solta gracejos na calçada do bar para as mulheres, é o mesmo que compra presentes no dia das mães para sua mãe e sogra. As próprias mulheres optam por um dos dois papéis: a virtude ou a sensualidade, pois é difícil para elas - e também para os homens - uma síntese ou integração.

       Sexo e amor deveriam andar juntos. No entanto, como resultado da Queda, homens e mulheres passaram a vivenciar amor e sexo separadamente. Mas a luxúria nunca traz satisfação verdadeira, pois deseja cada vez mais e obtém cada vez menos. Passamos a precisar de cada vez mais estímulo para obter cada vez menos satisfação. É a luxúria que nos leva a formas de sexo ilícitas e patológicas, como pornografia, vício em sexo, molestamento de crianças, sexo com animais e várias outras perversões.

 O amor cristão nos conduz de eros à ágape , para logo em seguida, levado pelas mãos deste, voltar novamente a eros e, assim, ir harmonizando os dois e construindo o amor autêntico que Deus planejou para o par humano. É ágape que nos salva da perversão.

       Em Provérbios 5: 15-23 está registrado um antigo conselho de um pai a seu filho, baseado na sabedoria de Deus. A alternativa helênica, e também a oriental, é o desprezo pelo corpo. A alternativa da literatura de sabedoria é o emprego de todas as forças, psicossociais, físicas e espirituais, dentro da esfera do casamento. O amor sexual é corporal, é o amor que aprendemos através do corpo. Somos criaturas corpóreas e Deus nos ensina através de nosso corpo. A atitude errada para com o nosso corpo impossibilita a fusão de eros com ágape. 

A nós, novas criaturas vivendo em sociedade e recebendo do meio cultural o problema desta ambigüidade, cabe a tarefa de alteração simbólica, influenciando a cultura. Devemos fazer da sexualidade uma virtude, para o bem de nossa vida emocional, saúde mental, relacionamento familiar e também por causa do Evangelho.

 

(Ágape - forma mais elevada e nobre de amor que vê algo infinitamente precioso em seu objeto)

(Eros -  desejo sexual)

 

 

Bibliografia:

 - O Eros Redimido, John White, Textus.

 - Uma Benção Chamada Sexo, Robinson Cavalcanti, ABU